Pular para o conteúdo
Contos para Dormir
Ilustração do conto O Braquiossauro que Contava Estrelas

O Braquiossauro que Contava Estrelas

Os dinossaurinhos do vale não conseguiam dormir. Então o Lon, o maior de todos, esticou o pescoço até o céu e começou a contar as estrelas, bem devagar.

Daniel Otto ·

Compartilhar no WhatsApp

No vale dos dinossauros, ninguém conseguia dormir. Até o maior de todos ter uma ideia bem devagarinha

No meio de um vale verde, cercado de samambaias gigantes e árvores tão altas que pareciam encostar nas nuvens, morava uma turma de dinossaurinhos.

Tinha a Tica, uma tricerátopo pequena com três chifrinhos ainda moles. Tinha o Pipo, um estegossauro de placas cor de laranja nas costas. E tinha a Lulu, uma pterossaura tão pequena que ainda nem sabia voar direito.

E tinha o Lon.

O Lon era um braquiossauro. O maior dinossauro do vale. Tinha as pernas grossas como troncos, um rabo comprido que arrastava devagar no chão e um pescoço tão, tão comprido, que a cabeça dele ficava lá em cima, junto das folhas mais altas.

Naquela noite, o céu estava limpo e o vale estava quieto. Mas os dinossaurinhos não estavam.

— Eu não consigo dormir — reclamou a Tica, rolando para um lado.

— Nem eu — disse o Pipo, rolando para o outro.

— Eu também não — piou a Lulu, batendo as asinhas.

O Lon abaixou o pescoço comprido, devagar, até a cabeça ficar bem pertinho deles.

— O que foi, pequenos? — perguntou, com uma voz grossa e macia.

— A noite está muito comprida — disse a Tica.

— E muito escura — disse o Pipo.

— E eu estou com os olhos abertos — disse a Lulu, que estava mesmo com os olhos bem abertos.

O Lon pensou um pouco. Ele sempre pensava devagar, porque tudo nele era grande, e pensamento grande demora para chegar.

— Vocês sabem o que eu vejo lá de cima? — perguntou ele.

Os três balançaram a cabeça.

— Estrelas — disse o Lon. — Muitas. Lá de cima, elas parecem mais perto. Querem que eu conte para vocês?

Um braquiossauro enorme e gentil abaixando o pescoço comprido até três dinossaurinhos deitados na grama do vale, à noite, sob um céu cheio de estrelas

— Mas contar estrelas dá sono? — perguntou o Pipo, desconfiado.

— Só se for devagar — disse o Lon. — Bem devagar. Cada estrela tem que ser olhada direitinho antes de passar para a próxima. Quem conta correndo fica é mais acordado.

— Eu conto rápido! — disse a Lulu. — Um-dois-três-quatro-cinco!

— Viu? — riu o Lon, baixinho. — Agora você está mais acordada do que antes. Hoje a gente vai contar do meu jeito. Do jeito de braquiossauro. Combinado?

— Combinado — disseram os três.

Os dinossaurinhos se ajeitaram na grama macia. A Tica se encostou na perna do Lon. O Pipo encostou na Tica. E a Lulu se aninhou bem no meio dos dois.

O Lon levantou o pescoço. Subiu, subiu, subiu, até a cabeça dele ficar lá no alto, no meio do céu escuro.

— Lá vai — disse ele, bem devagar. — Estrela número um. Ela é pequena e branquinha, e está piscando bem em cima da árvore grande.

A Tica bocejou.

— Estrela número dois — continuou o Lon. — Essa é amarelada, e fica pertinho da lua. Parece que está conversando com ela.

— Ela tem nome? — perguntou a Tica, baixinho.

— Tem — disse o Lon. — Mas ela só conta o nome para quem está quase dormindo.

O Pipo fechou um olho.

— Estrela número três. Essa é tímida. Às vezes aparece, às vezes se esconde atrás de uma nuvenzinha.

A Lulu dobrou as asinhas.

— Estrela número quatro... — A voz do Lon foi ficando mais baixa. — Essa é bem velhinha, e brilha devagar, como quem já está com sono também.

A Tica fechou os dois olhos.

— Estrela número cinco. Ela está sozinha, mas não está triste. Está só olhando o vale lá de cima, cuidando de todo mundo.

O Pipo respirou fundo e soltou o ar devagarinho.

— Estrela número seis...

O Lon olhou para baixo. Lá no chão, encostados na perna dele, os três dinossaurinhos estavam quietinhos.

— Vocês ainda estão acordados? — sussurrou.

Ninguém respondeu. Só se ouvia a respiração dos três, calma, igual o vento nas samambaias.

Três dinossaurinhos dormindo encolhidos na grama, encostados na perna de um braquiossauro, que olha para o céu estrelado com o pescoço esticado, sob a luz suave da lua

O Lon sorriu. Bem devagar, abaixou o pescoço comprido e deitou a cabeça na grama, ao lado dos pequenos, com cuidado para não acordar ninguém.

Lá em cima, as estrelas continuavam piscando. Uma, duas, três... Mas agora não precisavam mais ser contadas.

O Lon fechou os olhos também.

E o vale inteiro ficou em silêncio, coberto de estrelas, dormindo quentinho até de manhã.

Boa noite, Tica. Boa noite, Pipo. Boa noite, Lulu. Boa noite, Lon.

Para conversar depois da história

Três perguntas para fazer à criança antes de apagar a luz.

  1. Se você pudesse esticar o pescoço até o céu, o que ia querer ver lá de cima?
  2. Por que você acha que o Lon contava tão devagar?
  3. Vamos contar cinco estrelas de mentirinha juntos, bem baixinho?

Sobre esta história

História original do Contos para Dormir. O braquiossauro existiu de verdade: foi um dos dinossauros mais altos que já andaram pela Terra, com um pescoço tão comprido que alcançava a copa das árvores. O vale, o Lon e os dinossaurinhos foram inventados para este conto, que usa a contagem lenta como ritual para a criança acompanhar até adormecer.

Perguntas frequentes sobre O Braquiossauro que Contava Estrelas

Quanto tempo leva para ler?

Cerca de 6 minutos em voz alta. É uma das histórias curtas do site, boa para noites corridas.

Para que idade é indicada?

Dos 2 aos 5 anos. A contagem de estrelas no final convida a criança a contar junto, cada vez mais baixinho.

O braquiossauro existiu mesmo?

Sim. Viveu há cerca de 150 milhões de anos e comia folhas do alto das árvores, graças ao pescoço comprido. Era herbívoro e não caçava outros animais.

Que tal a história de amanhã?