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Contos para Dormir

Quantas horas de sono uma criança precisa, idade por idade

9 min de leitura

A tabela da Sociedade Brasileira de Pediatria, como calcular o horário de dormir a partir da hora de acordar e os sinais de que o sono não está sendo suficiente.

"Ele dorme pouco ou é impressão minha?" É uma das perguntas mais comuns nas consultas de pediatria, e faz sentido: a necessidade de sono muda muito de um ano para o outro, e o que era normal aos 2 anos deixa de ser aos 6.

A boa notícia é que existe uma referência clara. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) adota as faixas do consenso da Academia Americana de Medicina do Sono, e elas cabem numa tabela só.

A tabela: horas de sono em 24 horas

Idade Sono recomendado em 24 h Cochilos
4 a 12 meses 12 a 16 horas incluídos na conta
1 a 2 anos 11 a 14 horas incluídos na conta
3 a 5 anos 10 a 13 horas incluídos na conta
6 a 12 anos 9 a 12 horas —
13 a 18 anos 8 a 10 horas —

Três coisas ajudam a ler essa tabela direito:

  • São faixas, não metas exatas. Uma criança de 4 anos que dorme 10 horas e acorda bem-disposta está dentro do esperado, tanto quanto outra que dorme 12.
  • Até os 5 anos, o cochilo entra na soma. Se uma criança de 2 anos dorme 10 horas à noite e 1h30 à tarde, ela está com 11h30 — dentro da faixa.
  • Bebês com menos de 4 meses ficam de fora. Nessa fase o padrão de sono varia tanto de um bebê para outro que o consenso preferiu não fixar um número. O acompanhamento é feito caso a caso, com o pediatra.

E o cochilo, até quando?

Segundo a SBP, a partir dos 2 anos o sono diurno vai diminuindo e, até os 5 anos, a necessidade de cochilo deve ter desaparecido. Não existe um dia certo para parar: a maioria das crianças vai deixando o cochilo aos poucos, primeiro em alguns dias da semana, depois de vez.

O documento da SBP faz um alerta útil: se a criança continua precisando dormir durante o dia depois dessa idade, vale investigar se o sono da noite está sendo suficiente. Cochilo recorrente aos 7 anos costuma ser sinal de noite curta, não de "criança dorminhoca".

Como calcular o horário de dormir

A maioria das famílias não controla a hora de acordar — ela é definida pela escola, pelo trabalho dos pais, pelo transporte. Por isso, o jeito mais prático de acertar o sono é fazer a conta de trás para frente.

  1. Anote a hora em que a criança precisa acordar nos dias de semana.
  2. Pegue a faixa de horas da idade dela na tabela.
  3. Subtraia. O resultado é a janela em que ela precisa estar dormindo — não entrando no quarto.

Exemplo: uma criança de 5 anos que acorda às 6h30 precisa de 10 a 13 horas. Para ter pelo menos 10 horas, ela precisa estar dormindo até as 20h30; para ter 11, até as 19h30.

Agora some o tempo da rotina. Se banho, pijama, escovar os dentes e a história levam 40 minutos, a rotina começa por volta das 19h. Parece cedo, e para muitas famílias é — mas é assim que a conta fecha.

A SBP observa que, por volta de 1 ano, as crianças costumam começar o sono da noite perto das 20h; na idade pré-escolar e escolar, perto das 21h. São referências, não regras: o que vale é a conta com a hora de acordar da sua casa.

A regularidade conta tanto quanto as horas

Dormir 11 horas numa noite e 8 na outra não é o mesmo que dormir 9h30 todas as noites. Entre as medidas de higiene do sono da SBP, uma das primeiras é justamente a regularidade de horários para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana.

Isso não quer dizer que sábado não pode ter nada diferente. Quer dizer que a diferença deve ser pequena. Deixar a criança dormir três horas mais tarde na sexta costuma cobrar a conta na segunda de manhã.

Sinais de que o sono não está sendo suficiente

Criança com sono curto nem sempre parece sonolenta. Muitas vezes ela fica é agitada. Fique atento se, com frequência:

  • é muito difícil acordá-la de manhã, mesmo no horário de sempre
  • ela dorme em quase toda viagem curta de carro
  • fica irritada, chorosa ou "elétrica" no fim da tarde
  • a professora comenta desatenção ou sonolência na sala
  • precisa de cochilo numa idade em que já não deveria precisar

Nenhum desses sinais sozinho é diagnóstico. Mas, quando vários aparecem juntos, o primeiro ajuste a testar é antecipar o horário de dormir em 15 a 30 minutos por uma ou duas semanas e observar o que muda.

O que ajuda a criança a pegar no sono no horário

Acertar a conta não adianta se, na hora marcada, a criança está agitada demais para dormir. As medidas gerais que a SBP recomenda são simples:

  • Ritual curto e previsível, de até 30 minutos, com sempre a mesma sequência — banho, pijama, dentes, história, luz apagada.
  • Quarto adequado: temperatura agradável, pouca luz e silêncio.
  • Telas desligadas pelo menos 1 hora antes de dormir. Explicamos o porquê em telas antes de dormir.
  • Nada de bebidas estimulantes à noite, como café, chocolate e refrigerante.
  • Pais com a mesma estratégia: se cada adulto faz de um jeito, a rotina deixa de ser rotina.

O passo a passo completo está no guia como criar uma rotina do sono com histórias.

Onde a história entra na conta

A leitura em voz alta é a última etapa do ritual — o momento em que a casa já desacelerou e a criança está deitada. Por isso, o tamanho da história importa: um conto de 20 minutos numa noite em que o relógio já está apertado empurra o sono para mais tarde.

Na prática, funciona assim:

Cada página de conto mostra o tempo de leitura em voz alta, justamente para ajudar nessa conta.

Quando conversar com o pediatra

Este guia é uma referência geral. Vale levar a questão à consulta se a criança:

  • dorme consistentemente bem menos do que a faixa da idade, mesmo com rotina organizada
  • ronca alto com frequência ou parece fazer pausas na respiração durante o sono
  • continua muito sonolenta durante o dia mesmo dormindo as horas recomendadas
  • acorda muitas vezes por noite de um jeito que atrapalha o dia seguinte dela e da família

Fontes e um aviso

Este guia é editorial e não substitui a avaliação do pediatra. A tabela e as medidas de higiene do sono seguem as fontes abaixo.

Última revisão editorial: 27 de setembro de 2026.

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