Contos para Dormir
Ilustração do conto Teo, o Dinossauro que Tinha Medo de Trovão

Teo, o Dinossauro que Tinha Medo de Trovão

Quando o céu ronca, Teo treme até a ponta do rabo. Até a noite em que a mamãe ensina a ele o segredo dos contadores de trovões.

Equipe Contos para Dormir ·

No vale dos dinossauros, ninguém dormia quando o céu resolvia roncar — ninguém, principalmente, o pequeno Teo

No vale verde entre duas montanhas, morava um dinossauro pequeno chamado Teo.

Teo não tinha medo de quase nada. Não tinha medo do rio fundo. Não tinha medo da caverna escura. Não tinha medo nem do velho Rex, que tinha dentes do tamanho de bananas e o coração mole como fruta madura.

Mas quando o céu ficava cinza, e as nuvens se amontoavam, e lá de cima vinha aquele...

TRRRRUUUUM!

...Teo tremia da cabeça à ponta do rabo. E o rabo de Teo, é bom dizer, era comprido — então era tremedeira para muito tempo.

— É só barulho, filhote — dizia a mamãe dinossaura, cobrindo Teo com a folha de samambaia mais macia do ninho.

— Barulho pequeno é só barulho — respondia Teo, lá de baixo da folha. — Barulho desse tamanho é monstro!

Numa noite de verão, o vento mudou. As folhas viraram do avesso. O cheiro de chuva encheu o vale, e os primeiros pingos começaram a tamborilar nas costas dos braquiossauros, plic, ploc, plic.

E então o céu piscou — um clarão branco, rapidinho.

Teo mergulhou debaixo da folha de samambaia.

— Vem cá — chamou a mamãe, deitando o pescoço comprido ao lado dele. — Hoje eu vou te ensinar o segredo dos contadores de trovões.

— Con... contadores de trovões? — perguntou Teo, com um olho para fora da folha.

— É um trabalho muito antigo — disse a mamãe. — Presta atenção: quando o céu piscar, você começa a contar. Um... dois... três... até o trovão chegar. Vai.

O céu piscou de novo.

— Um... dois... três... quatro... cinco... seis... sete... oito! — contou Teo, e no oito veio o TRRRRUUUUM, rolando pelas montanhas.

— Oito! — disse a mamãe. — Oito passos de gigante. É a distância que a tempestade está de nós. Ela está lá longe, atrás da montanha azul, andando devagar.

Teo saiu um pouquinho de baixo da folha.

— O trovão... tem endereço?

— Tem endereço, tem tamanho e tem caminho — riu a mamãe. — Trovão é o barulho que o clarão faz quando rasga o céu, como um lençol enorme rasgando. O clarão corre na frente, porque a luz é apressada. O barulho vem atrás, porque o som anda devagar, feito o vovô tricerátopo. Contando, você descobre onde a tempestade está.

O céu piscou. Teo contou:

— Um... dois... três... quatro... cinco... seis... TRRRUM! Seis! Mamãe, agora foi seis!

— A tempestade está passando pelo vale dos pescoçudos — disse a mamãe, calminha. — Continua contando, contador.

E Teo contou. Contou deitado, contou de olho aberto, contou de olho fechado. E uma coisa curiosa foi acontecendo: quanto mais Teo contava, menos o rabo tremia. O medo tinha virado outra coisa. Tinha virado pergunta com resposta.

— Quatro... cinco... TRRRUM! Cinco! Ela chegou no rio!

— E agora escuta — sussurrou a mamãe. — O melhor pedaço do trabalho.

O céu piscou. Teo contou:

— Um... dois... três... quatro... cinco... seis... sete... trrrum. — O trovão veio baixinho, embrulhado em nuvem. — Sete! Mamãe! Ela está indo embora!

— Está indo embora — confirmou a mamãe. — Toda tempestade vai. Essa é a parte que os contadores de trovões sabem e os medrosos esquecem: tempestade é visita, não moradora.

Teo contou mais um pouco: oito passos... dez passos... doze passos de gigante. O trovão foi ficando do tamanho de um ronco de barriga, depois do tamanho de um suspiro, depois... sumiu. A chuva virou chuvisco. O chuvisco virou cheiro de terra molhada.

E o vale inteiro, lavadinho, começou a dormir.

— Mamãe — bocejou Teo, se aninhando no pescoço dela —, quando eu crescer, eu quero ser contador de trovões do vale inteiro. Vou ensinar os filhotes todos a contar.

— Você já é — disse a mamãe, fechando os olhos. — Contador de trovões, primeiro da turma.

Lá fora, bem longe, atrás de sete montanhas, o último trovãozinho roncou de leve — como quem diz boa noite.

E Teo, o dinossauro que tinha medo de trovão, dormiu sorrindo, contando passos de gigante que ficavam cada vez mais longe... um... dois... três...

Assim como você pode contar agora, bem devagarinho, até o sono chegar.

Para conversar depois da história

Três perguntas para fazer à criança antes de apagar a luz.

  1. Você já ouviu um trovão bem forte? O que você sentiu na barriga?
  2. Por que será que contar até o trovão deixou o Teo mais calmo?
  3. Que outro barulho grandão fica menos assustador quando a gente sabe de onde ele vem?

Sobre esta história

História original do Contos para Dormir. O truque de contar entre o relâmpago e o trovão existe de verdade — cada três segundos de intervalo equivalem a cerca de um quilômetro de distância — e é usado por famílias do mundo inteiro para acalmar noites de tempestade. Aqui ele vira ofício de dinossauro: o contador de trovões do vale.

Perguntas frequentes sobre Teo, o Dinossauro que Tinha Medo de Trovão

Este conto ajuda criança com medo de trovão e tempestade?

Sim — esse é o propósito. A história valida o medo, explica o barulho e entrega um ritual concreto (contar entre o clarão e o trovão) que a família pode repetir na próxima tempestade de verdade.

Para que idade é indicada?

Dos 4 aos 7 anos, quando o medo de barulhos fortes é mais comum. Para os pequenos que amam dinossauros, o tema é um convite extra.

Quanto tempo leva para ler?

Cerca de 8 minutos em voz alta — com pausas para contar junto com o Teo, que é a melhor parte.

O conto tem cenas assustadoras?

Não. A tempestade ronca no meio da história, mas nunca machuca ninguém, e o final é de céu limpo, vale adormecido e ninho quentinho.

Que tal a história de amanhã?