Contos para Dormir
Ilustração do conto A Princesa e a Ervilha
Geral4–8 anos6 min de leitura

A Princesa e a Ervilha

Uma noite de tempestade, uma visitante misteriosa e vinte colchões empilhados. Será que uma simples ervilha pode revelar uma princesa de verdade?

Foi numa noite de tempestade que tudo mudou no reino

Era uma vez um príncipe que viajou o mundo inteiro em busca de uma princesa de verdade. Ele visitou reinos distantes, atravessou montanhas nevadas e cruzou mares bravos. Em cada lugar encontrava moças lindas que diziam ser princesas, mas havia sempre algo que não parecia completamente certo — um gesto pouco delicado, uma palavra fora de lugar, um sorriso que soava ensaiado. O príncipe voltou para casa triste e abatido, sem ter encontrado o que procurava. Seu coração estava tão pesado que mal conseguia sorrir. O rei e a rainha ficaram preocupados com o filho, mas não sabiam como ajudá-lo.

A Noite da Tempestade

Numa noite de tempestade terrível, o vento uivava tanto que as janelas do castelo tremiam. Chuva grossa açoitava as pedras e relâmpagos rasgavam o céu escuro. Em meio ao barulho da ventania, alguém bateu à porta do castelo. O rei foi abrir pessoalmente, pois os servos estavam com medo. Lá fora, toda encharcada da cabeça aos pés, estava uma jovem. A água escorria pelo seu cabelo, seus sapatos estavam cheios de lama e ela estava tremendo de frio. Ainda assim, ela se apresentou com dignidade: — Boa noite. Sou uma princesa e preciso de abrigo para essa noite.

O rei a fez entrar rapidamente, mas a rainha, que estava observando da escada, franziu o cenho. Ela havia visto muitas jovens que diziam ser princesas mas não eram. Tinha um jeito de descobrir a verdade — um método que nunca havia falhado. Enquanto os servos preparavam o quarto da hóspede, a rainha subiu escada acima com passos rápidos e decididos. Ela entrou no quarto mais bonito do castelo, ergueu os colchões um a um e, no fundo do último colchão, embaixo de tudo, colocou uma única ervilha verde — pequena como uma conta de colar. Em seguida, mandou empilhar vinte colchões macios por cima, e mais vinte edredons de penas por cima dos colchões. A cama ficou tão alta que precisou de uma escadinha para subir.

Vinte colchões e vinte edredons — mas a ervilha lá embaixo guardava um segredo

A Prova da Ervilha

A jovem tomou banho quente, trocou de roupa seca e jantou com a família real. O príncipe a olhava com discrição pela mesa de jantar. Ela tinha um jeito sereno e gentil, ria com leveza e escolhia as palavras com cuidado. Mas o príncipe não queria se iludir de novo. Dormiu naquela noite com o coração cheio de esperança e dúvida ao mesmo tempo. Na manhã seguinte, todos se reuniram no café da manhã. A rainha olhava para a jovem com olhos atentos. — Como você dormiu, minha querida? — perguntou ela com voz adocicada.

A jovem hesitou um momento, como se não quisesse ser indelicada. Depois, com um sorriso envergonhado, disse: — Peço desculpas, mas… dormi muito mal. Há algo na cama que me incomodou a noite toda. Pequeno como fosse, estava lá. Fiquei me virando e me revirando e amanheço cheia de hematomas.Sei que parece impossível, mas senti como se houvesse uma pedra embaixo de todos aqueles colchões. A rainha soltou um longo suspiro de satisfação e sorriu de orelha a orelha. O rei abriu os olhos bem grandes. E o príncipe? O príncipe levantou de sua cadeira, foi até a jovem e tomou sua mão com delicadeza. — Só uma princesa verdadeira teria uma sensibilidade tão refinada, — ele disse com os olhos brilhando. — Posso perguntar seu nome?

Uma única ervilha verde foi o segredo que revelou a princesa verdadeira

A Princesa Verdadeira

Meu nome é Isadora, — respondeu ela com uma reverência graciosa. Ela contou que havia chegado aquele reino durante a tempestade porque sua carruagem havia quebrado na estrada e seus acompanhantes foram buscar ajuda, mas ela não queria esperar sozinha na escuridão. O príncipe escutou cada palavra com atenção crescente. Eles conversaram a manhã inteira no jardim do castelo, caminhar entre as roseiras e os canteiros de lavanda. A rainha observava da janela com um sorriso de satisfação — ela raramente errava em seu julgamento.

Nos dias seguintes, Isadora ficou no castelo enquanto esperavam sua carruagem ser consertada. E nesses dias, o príncipe descobriu que ela era exatamente o que havia procurado o mundo inteiro: genuína, bondosa, sensível, inteligente e capaz de rir das próprias dificuldades. Quando chegou o momento de ela partir, o príncipe se ajoelhou no jardim cheio de flores e lhe pediu que ficasse para sempre. — Viajei por muitos reinos e encontrei muitas princesas, — disse ele segurando a mão dela, — mas nenhuma chegou molhada pela chuva na minha porta, honesta o suficiente para dizer que havia dormido mal. Isadora riu — um riso real, espontâneo e alegre. E ficou. A ervilha foi colocada numa vitrina de cristal no salão principal do castelo, onde permaneceu por muitos anos como lembrança de que a verdade, por menor que seja, sempre se faz notar.

🟢 Moral da história: A autenticidade e a honestidade são qualidades raras e preciosas. Ser verdadeiro com quem você é, mesmo nas pequenas coisas, é o que faz você especial aos olhos de quem realmente importa.

Que tal a história de amanhã?